Retratos da mente

sexta-feira, 17 de julho de 2009



















Homenagem ao Malandro (Chico Buarque)


Eu fui fazer um samba em homenagem

à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.

Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central.

Vídeo da música: http://www.youtube.com/watch?v=veeisMvPJm8

Esta música do Chico lembra muito uma situação que está acontecendo lá no Palácio do Planalto. Os escândalos envolvendo o Sr. malandraço cacique Sarney, proprietário do Maranhão.

Esta é a minha mensagem de indignação. FORA SARNEY!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Spok Frevo Orquestra: CD Passo de Anjo

Na minha humilde opinião, o melhor CD de música da atualidade. Isto porque a Orquestra Spok Frevo funde muito bem o calor emotivo da música pernambucana com a "cerebralidade" do jazz. O resultado disso é uma música única, muito alegre e, ao mesmo tempo, complexa. O ritmo "picado" do frevo, unido à liberdade da improvisação.
A melhor maneira de descobrir este novo fenônemo é ouvir o CD. Como músico e brasileiro, recomendo!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Íncola sicofanta mavioso báratro viperina alígero vizir couvade. Leviato dimana exogamia tágide amiúde paxá decênviro; sátrapas medra preboste tomitanas macuta atassalhar. Botim apostasia ictiófago descorçoar judicatura vizir necromante arpente périplo abluções. Puníceo frugalidade animadversão promontório trânsfugas tremisses chartas pla... paladino fideicomisso apostasia estipêndio. Oclocracia metempsicose consuetudinária.

11/01/2006
22h17

sábado, 27 de setembro de 2008

eXtremAmente coNcrETO

OBTUSO!
        USO! VALOR
         DE TROCA
        TROCA-TROCA
         FURTO! ROUBO!
         CLEPTOMANIA!
         APROPRIAÇÃO
         DÉBITO!    INDÉBITA
         CARTÃO DE CRÉDITO
         LUCRO LÍQUIDO. DÍVIDA
         DIVIDENDOS!    DUENDES
         GNOMOS        NOMOS
         ECO
         ECONOMIA
                           ECOLOGIA POLÍTICA
                                                      MÍTICA
   MIMESE
  QUEM IMITA QUEM?
    HEIN?

          IN

          ON      OFF
    
              STAND BY
              
               BY WHO?
 
          NOBODY
 
                     BODE

                ODE À CATÁSTROFE

                              CATACRESE

                             CAOS INSTITUCIONALIZADO
                                 IRREAL

                               MESCALINA
                              TUDO O QUE TERMINAR COM INA

HINÁRIO
ORDINÁRIO

    ÁRIA DA 4ª CORDA
ACORDE



ACORDA!









sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Alguma coisa presa na garganta do meu punho
entalada na laringe da memória
algo que quase foi, um Quase frustrado
um ante-projeto de ser que não virou história.

Esse pensamento fracassado atormenta
e incomoda, e quer surgir, e regurgita e some
pulula, inflama, saltita, enfrenta
mas digo-lhe: - Não! aqui não é lugar nem hora!

Tal obra renegada na fonte protesta
Diz: - Não é justo, eu quero sair, deixe-me viver!
o poeta, com autoridade e naúsea contesta
- És a criação, deves obedecer ao meu querer!

Travada então a árdua luta o mais forte vence
comemora e regozija, cobrindo-se de louvor;
O criador que renega a criação, a si mesmo renega
é como um pai que negasse a seu filho o tão merecido amor.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Labor Poético / Incontinência Laboral

Pesa, mede, sente, esquadrinha (-se)
Pensa, mete, cede, examina (-se)
Pisa, morre, fede, excomunga (-se)
Rega, mente, pede, agoniza (-se)

Rima, ouve, senta, exercita (-se)
Cisma, move, tece, executa (-se)
Cria, mexe, ferve, exorciza (-se)
Tenta, nasce, cresce, escraviza (-se)

Pulsa, pulsa, pulsa, pulsa
Dá pitaco!
Não caia em tentação. Não Caia!

Não diga!

Puta-que-o-pariu, Poeta! Porra!

Pronto! Mais um poema pela metade!
Penso, logo desisto.
Penso, logo, sucumbo
Penso, logo bocejo
Penso, logo duvido.

Penso, logo, não ajo
Penso, logo envelheço
Penso, logo escarneço
Penso, logo despenso.

Penso, logo detesto
Penso, logo registro
Penso, logo suicido
Penso, logo decido.

Penso, logo escarro
Penso, logo estremeço
Penso, logo entristeço
Cogito, ergo sum.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Desautorização

Eu não encontro beleza numa burocracia militarizada,
apenas choro e ranger de dentes,
não compartilho da estética da violência,
do sadismo, do autoritarismo.
Não comungo com a lógica do poder
porque ela é irracional.

Eu não vejo graça alguma num cartão de ponto,
num papelório generalizado,
não aprovo o capricho da norma.
O regozijo da punição só alegra
a quem atravessa, com a lança, o Cristo.

E já que me dispus a discorrer
sobre tão profano e odioso assunto;
registro aqui a minha recusa,
o meu NÃO a toda a autoridade.